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terça-feira, março 21, 2006

 

Verdadeira Diarreia

O Gmail salvou-me automaticamente o texto. Foi um querido.
Aqui está ele (sem assumir nada, please):

Não nos apercebemos de um evento a não ser quando nos apercebemos directamente das suas consequências. Quando sabemos distinguir um antes e um depois.
Estou ainda a passar por todo esse processo. Distinguir o antes do depois, porque são diferentes. Aperceber-me das consequências, que me impõem outro modo de vida.
Tenho de tirar as tuas fotografias do meu quarto. Continuo a gostar de te ver, não perdeste beleza e eu não deixei de gostar de olhar para a coisas bonitas. Mas, sem saber exactamente porquê, já não faz sentido ter as fotografias no quarto. É suposto tirar-te da minha vida, mesmo nos sítios onde não é preciso. Vou retirar da parede os bilhetes de concertos a que fomos juntos, também.
É assim, primeiro as coisas pequenas, depois as maiores e depois as ainda maiores, subindo pela hierarquia do tamanho. Agora as fotos, amanhã algumas coisas que me ofereceste, noutro dia acabarei por esconder as cartas. Apagar os e-mails pessoais, e começar a trocar forwards contigo como faço com todos os apenas conhecidos da minha vida. Eventualmente, vou mudar de número de telemóvel e já não vou registar o teu número. Ainda o vou saber de cor mas um dia vou espantar-me por até isso ter desaparecido. Não deve ser muito longe do dia em que te excluo da minha lista de contactos do Messenger.
E esqueci-me completamente de falar das rotinas.
O hábito de nunca passarmos mais de 3 ou 4 horas sem comunicarmos, é para suprimir. O telemóvel terá muito menos uso. Vou lembrar-me do ecrã suado pela minha cara, e isso será eventualmente um esboço distante. Já não vamos passar horas ao telefone. Nem nos vamos telefonar, sequer.
Dentro de dois dias terei a tarde livre. Não vou a tua casa, nem te vou esperar na minha. Fizémo-lo durante anos. Dentro de dois dias vou aborrecer-me porque subitamente não tenho nada para fazer. Vou ter de encontrar hobbies, encontrar amigos ou re-encontrar uns quantos.
Redecorar o quarto, reconstruir a rotina diária. Basicamente, renovar a vida quotidiana. Mudar de pensamentos, mudar de atitude. Tirar da carteira aquela tua foto tamanho passe.
Apanhar um autocarro diferente, porque apanhava sempre mais cedo ou mais tarde do que devia só para ir contigo.
Aperceber-me das consequências do evento, senti-las. Distinguir o antes e o depois. Para poder reconhecer o que se passou.
Preciso de saber que isto não é mais que um pequeno evento no tempo, e que vendo a minha vida em perspectiva, é um evento bastante insignificante. Irei acabar o curso, fazer estágios, arranjar trabalho, conhecer centenas ou milhares de novas pessoas, fazer novos amigos, deixá-los e mais uma vez fazer outros. Manter alguns. Deixar esses, arranjar outros. Apaixonar-me por alguém, sentir amor eterno mas daquele que eventualmente acaba. Reapaixonar-me, repetir o primeiro passo e depois reapaixonar-me outra vez. Emprego, família, contas, carro novo, casa, velhice, e estes dias de hoje em que tiro as tuas fotografias do meu quarto e da minha carteira serão pontos invisíveis no meio de tantos outros que formam uma linha.
Começar pelas coisas pequenas, e passar para as grandes. Começar de deixar de dirigir tudo o que escrevo a um "tu".

Comentários:
?limpas-me da tua vida como uma nódoa, uma grande nódoa escura numa roupa branca, uma nódoa que não sai. vai-se apagando, de tanta insistência, tanta lixívia. deixando ?um sítio em que não era preciso? quase um vazio, um buraco.

se pudéssemos apagar-nos assim, era tudo tão fácil e teria sido uma mentira. a dualidade das coisas persegue-nos. a verdade de nós coexiste com a dor. a dor que mal podemos suportar, a dor que nos obriga a seguir por essa linha de pontos de que falas. e sabes acho que todos esses pontos são demasiado significantes e relevantes ? guardá-los-ei a todos em mim, recordarei os bons e haverá lágrimas, e o esquecimento demorará a chegar, talvez até nunca me encontre.
já retirei a fotografia da parede em frente da minha cama, mas não sei para quê. Agora um ponto preto, um prego solitário, permanece na parede despida, para me lembrar todos os dias que estávamos ali. e ali é qualquer lado porque estávamos sempre juntos, de qualquer forma.
agora tenho todo o tempo que te reclamei tantas vezes, tenho-o por inteiro, tenho até demasiado tempo. demasiado tempo para ter saudades tuas.?

este processo do antes e do depois é qualquer coisa - a precisão com que o descreves é demasiado real, e tristemente demasiado verdadeira.
desculpa a minha divagação mas foi o que senti ao ler o teu texto.
 
é um raio-x em que lhe falta apenas uma coisa... tu.
 
epá este tá excelente.axo k é um bom crossover da realidade de um jovem contemporâneo e da vida material/fútil k maior parte vive.enfim, o k kero dizer é k gostei,axei actual e refrescante.top fnac para mim.
 
É das poucas coisas que
li na vida que me fez viajar
completamente, senti-me
teleportado para outro local
e revivi esses momentos que
descreves.
Parabens pelo texto.
 
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