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quinta-feira, julho 14, 2005

 

Sobre o último post:

Há pontos que tenho que explicar, outros que tenho que rectificar. Primeiro: o título. Não o vou mudar, mas deixem-me dizer que me apercebo do quanto pouco é adequado. O texto não explica o porquê eu ser ateu, mas explica o porque se deve duvidar dos motivos de uma fé cega, mesmo que seja a nossa fé. De facto, eu poderia ter escrito exactamente o mesmo se fosse crente devoto. Podia ter pensado nisto enquanto me ajoelhava na igreja. Nenhuma parte da argumentação tem preconceitos ateus, e nunca digo que a fé em Deus é injustificável porque "Epá isso é ridículo". Acho que expus uma lógica que é apenas humana, independente da religião de quem expõe. É como fazer cálculos matemáticos. Portanto o título devia resumir-se a "Porquê a fé?" ou "Porquê acreditar?", exprimindo o post como uma procura dos motivos da fé em Deus (e não, definitivamente, uma afirmação sobre e existência ou não de Deus). Uma procura que foi feita por um agnóstico-tendente-para-ateu mas que também admite que pode estar errado.
Nunca vi nenhum crente que me explicasse lógica e racionalmente a sua fé, foi o que disse ontem. Encontrei, porém, uns que me disseram que a fé em Deus (que, já agora, de acordo com eles, deve ser escrita com letra maíuscula, mas abordo isso noutro momento) é algo ilógico, irracional. Para mim, isso é um motivo para duvidar dessa fé. Aliás: é o motivo que o post anterior quis precisar. A vida, o comportamento humano, o pensamento, tudo isto se rege por leis lógicas, portanto onde é que a falta de lógica é uma garantia de legitimidade?
O facto é que toda as crenças humanas são lógicas, existem porque o objecto dessa crença está provado. E falo de crenças grandes e de pequenas, porque são todas crenças. A Britney Spears é um homem? Não acredito! Mas se lhe visse a pila e a barba não teria escolha e acreditaria. E depois perguntar-me-iam "Isso é o que dizem os tabloides, acreditas nessa treta?". Pois claro que acredito, porque vi a prova. De outro modo não seria legítimo acreditar. Porque haveria eu de acreditar em alguém que me abordasse na rua e me dissesse que sabia voar?
É que toda a crença imotivada é um risco. Às vezes temos que tomar uma decisão sobre confiar ou não numa pessoa. Muitas vezes decidimos mal e somos enganados e traídos. Muitas vezes pensávamos que podíamos confiar... e pudémos, e confiámos, mas em algo que não existia.
Eu nunca vi provas que justuficassem uma crença em Deus (não acho, por exemplo, que Cristo seja uma). Não que ele não exista... mas por enquanto ainda não vi provas. Até lá, não serei totalmente ateu - terei apenas muitas dúvidas ou uma dúvida muito grande.
Aceito que as pessoas acreditem, mesmo sem um motivo aparente. Aceito que tenha sido assim toda a vida, e aceito que nem que sejam encurraladas pela lógica elas admitam. Acho que essas podiam abrir um pouco mais a mente, à possibilidade de poderem estar erradas. Mas isto ramifica em algo que não quero falar para já.

Comentários:
isto será sempre uma discussão que nunca terá fim. os que nao são crentes, acham impossível acreditar em algo para além do terreno, os que são, acreditam plenamente que tal existe.

tal como tu dizes: "basta-me estar atento". tira as conclusões.
 
Pois bem... Zoe (que seja!) a Fé em Deus é apenas para aqueles que de facto acreditam sem nunca terem visto!

Dizem as Bem-Aventuranças: Felizes os que acreditam sem nunca terem visto. Disse Cristo, a São Tomé, que duvidou!

E tu bem sabes... que não tenho provas... as únicas que tenho são as palavras de Cristo, que muitos não aceitam como verdadeiras... mas que para mim são.
 
Eu acho que não é não haver provas que compromete a prática da fé. As pessoas querem acreditar, faz parte. Às vezes até pode haver mil e uma coisas que comprovem que aquilo em que elas acreditam está errado e mesmo assim é mais importante para elas acreditar do que não acreditar.
Quando não há nada que prove ou deixe de provar, não está em causa elas estarem "erradas" ou não. E sinceramente não vejo como é que entra em jogo, em momentos de desespero extremos, ou até só quando alguma esperança é precisa, o facto de as pessoas "abrirem a mente" ao facto de estarem erradas... Deitar tudo a perder e desistir - quando ainda não está nada determinado - é a coisa mais inútil que se pode fazer, por muito absurda que tu consideres a existência... e se o ser humano precisa de uma fé que o ajude a não fazer isso, então que seja.
 
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